Poloneses foram os primeiros a decifrar código Enigma

Por Sagran Carvalho.

Camaradas,

Nos primeiros anos da Segunda Guerra a Enigma representou para os alemães sua maior “arma” estratégica no conflito. Do lado Aliado era a certeza da impossibilidade de compreender as mensagens nazistas interceptadas e muito menos tomar atitudes preventivas contra as ações do inimigo. Durante um bom tempo, britânicos acreditaram ser impossível quebrar o código germânico.

Somente quando a equipe liderada pelo matemático inglês Alan Turing em Bletchley Park conseguiu decifrar o código alemão é que os ingleses passaram a descodificar e interpretar as mensagens do Alto Comando nazista. A quebra da criptografia alemã foi o maior segredo de guerra britânico durante boa parte da guerra, e deu aos Aliados a vantagem estratégica em um momento em que o Império Britânico estava na iminência da derrota. Alan Turing e sua equipe foram responsáveis diretos pela virada da maré inglesa no conflito.

O que poucos sabem, é que antes dos feitos do pessoal de Bletchley Park, os poloneses foram os responsáveis por quebrar pela primeira vez a criptografia da Enigma.

Mesmo com a derrota alemã na Primeira Guerra a desconfiança polonesa contra seu poderoso vizinho sempre prevaleceu e a chegada de Hitler ao poder só fez este sentimento crescer. Assim, na década de 1930, a inteligência polonesa passou a interceptar e a decifrar, secretamente, as mensagens militares alemãs.

Infografik ENIGMA So funktioniert's 1 BRA

A espionagem polonesa começou a frutificar quando Hans-Thilo Schmidt, então funcionário do Ministério da Guerra da Alemanha vendeu documentos ultra-secretos à França, que os encaminhou a inteligência da Polônia. Estas informações eram justamente  o que o matemático polonês Marian Rejewski e seus colegas precisavam para decifrar Enigma. As cópias de Schmidt dos mecanismos de encriptação permitiram que os poloneses construíssem uma réplica da Enigma, semelhante ao modelo que se encontra exposto no museu da matemática Arithmeum, em Bonn.

Mensagens eram fáceis de interceptar, mas difíceis de decifrar, exceto para aqueles que possuíam o código secreto…

Marian RejewskiMarian Rejewski fez trabalho de base para Alan Turing

Infografik ENIGMA Die Zahlen hinter den Walzen 2 Brasilianisch

A máquina tinha 26 teclas alfabéticas, e quando uma das teclas era pressionada, a letra criptografada aparecia em um painel luminoso acima do teclado. Abaixo do teclado, um quadro com 26 conexões para fios trocava as letras. Assim, A se torna B e vice-versa.

Até o final da década de 1930, as forças alemãs usavam seis fios com 12 contatos para trocar as letras, deixando 14 letras inalteradas. Muito mais desafiador do que o quadro de permutas, era o mecanismo de avanço acima do painel luminoso. Ele tinha aberturas para três rotores ou discos rotativos intercambiáveis com 26 posições de A a Z.

“Após haver codificado uma letra, o primeiro disco avançava uma posição, mudando a sua combinação, e depois de 26 rotações, o disco do centro também girava 26 vezes”, explicou o matemático Stephan Held, do Instituto de Pesquisa de Matemática Discreta, em Bonn. “A combinação mudava após cada letra, e isso dificultava decifrar a Enigma.”

O número de combinações para três rotores – cada um com 26 posições de A a Z – resultava em 17.576 chaves. Mas como os três rotores eram intercambiáveis, havia seis maneiras possíveis de inseri-los nas três aberturas. Isso resultava em 105.456 combinações – um número considerável, mas manejável para Rejewski e seus matemáticos poloneses.

“Essa foi a quantidade de configurações que os poloneses simularam a fim de decifrar o código da máquina. Ele catalogaram, simplesmente, cada uma dessas combinações”, afirmou Mario Wolfram, especialista em Enigma do Museu Arithmeum, em entrevista à DW.

Infografik ENIGMA Die Zahlen hinter den Walzen 1 BRA

Rejewski descobriu que cada uma dessas 105.456 combinações gerava um único padrão matemático, como um DNA ou impressão digital usado por um detetive para rastrear um suspeito. Ele tentou então combinar uma chave de três letras para mensagens interceptadas com padrões de combinações conhecidas. Se Rejewski encontrasse uma correspondência, ele poderia decifrar a mensagem.

Mas, se a mensagem era muito curta e o padrão era difícil de discernir, por meio de conjecturas, o número de possibilidades era reduzido.

“Seres humanos escolhem, muitas vezes, chaves simples como AAA, BBB ou três letras consecutivas no teclado. Ele tentava então essas hipóteses até encontrar uma correspondência”, afirmou Held.

Alemães aperfeiçoaram Enigma antes da Segunda Guerra

No entanto, no final de 1938, a sorte se voltou contra os poloneses. Os alemães acrescentaram dois rotores adicionais à Enigma, de forma que qualquer combinação de cinco rotores pudesse ser introduzida nas três aberturas.

Infografik ENIGMA So funktioniert's 2 BRA

“Isso tornou a situação muito mais difícil para os criptógrafos poloneses. Tem-se 60 maneiras diferentes de inserir os rotores na máquina, enquanto antes havia somente seis combinações possíveis, assim o trabalho que teriam de fazer para decifrar as mensagens aumentou dez vezes”, disse Wolfram.

Este aumento significava mais de um milhão de posições iniciais para os cinco rotores. O número de fios no quadro de conexões também aumentou de seis para dez. Os poloneses não tinham mais os recursos suficientes para lidar com as mudanças.

Além disso, naquela época, os matemáticos poloneses tiveram que fugir de seu país. Mas, antes disso, eles entregaram para os serviços de inteligência franceses e britânicos tudo que sabiam sobre a Enigma.

Os nazistas invadiram a Polônia em 1° de setembro de 1939. A França foi ocupada em 1940. Assim, coube a Alan Turing e à sua equipe no Bletchley Park, no norte de Londres, decifrar o código Enigma.

 

Com informações da DW.

 

 

 

 

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