O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei), era “de direita”?

Por Sagran Carvalho.

 

Camaradas,

Esta é a pergunta que causa tanta discórdia e controvérsia atualmente em qualquer debate sobre o tema, seja em fóruns especializados ou numa simples discussão de internet. Em geral, os “especialistas” defendem suas “teses” com um afinco apaixonado que geralmente vai de encontro às suas crenças ideológicas.

Eu, particularmente também tenho meus conceitos, mas sinto-me incapaz de passá-los através de um curto texto em um artigo. O assunto é de uma complexidade gigantesca e nos remete ao passado mais longínquo na busca dos motivos que levaram à nazificação da Alemanha e a definição ideológica quanto ao espectro político de sua ideologia. De tudo que li e ouvi a respeito, a melhor definição que encontrei até o momento foi feita pelo Linguista Flávio Morgenstern em seu podcast Guten Morgen do site Senso Incomum . Ele dá uma aula de todo o processo, partindo desde o nascimento do judaísmo até a chegada dos nazistas ao poder. Vale muito ouvir!

Mas, para não deixá-los na dúvida do que penso a respeito, existe um texto de Ludwig von Mises, que é um trecho de “As Seis Lições” em que ele consegue expôr com clareza de conceitos o que foi o Nacional Socialismo alemão. Deleitem-se:

”Na Alemanha de Hitler havia um sistema de socialismo que só diferia do sistema russo na medida em que ainda eram mantidos a terminologia e os rótulos do sistema de livre economia. Ainda existiam “empresas privadas”, como eram denominadas. Mas o proprietário já não era um empresário; chamavam-no “gerente” ou “chefe” de negócios (Betriebsführer).

Todo o país foi organizado numa hierarquia de führers; havia o Führer supremo, obviamente Hitler, e em seguida uma longa sucessão de führers, em ordem decrescente, até os führers do último escalão. E, assim, o dirigente de uma empresa era o Betriebsführer. O conjunto de seus empregados, os trabalhadores da empresa, era chamado por uma palavra que, na Idade Média, designara o séquito de um senhor feudal: o Gefolgschaft. E toda essa gente tinha de obedecer às ordens expedidas por uma instituição que ostentava o nome assustadoramente longo de Reichsführerwirtschaftsministerium (Ministério da Economia do Império), a cuja frente estava o conhecido gorducho Goering, enfeitado de joias e medalhas. E era desse corpo de ministros de nome tão comprido que emanavam todas as ordens para todas as empresas: o que produzir, em que quantidade, onde comprar matérias-primas e quanto pagar por elas, a quem vender os produtos e a que preço. Os trabalhadores eram designados para determinadas fábricas e recebiam salários decretados pelo governo. Todo o sistema econômico era agora regulado, em seus mínimos detalhes, pelo governo.

O Betriebsführer não tinha o direito de se apossar dos lucros; recebia o equivalente a um salário e, se quisesse receber uma soma maior, diria, por exemplo: “Estou muito doente, preciso me submeter a uma operação imediatamente, e isso custará quinhentos marcos”. Nesse caso, era obrigado a consultar o führers do distrito (o Gauführer ou Gauleiter), que o autorizaria – ou não – a fazer uma retirada superior ao salário que lhe era destinado. Os preços já não eram preços, os salários já não eram salários – não passavam de expressões quantitativas num sistema de socialismo.”

Espero que tenha sido esclarecedor.

Abraços.

Força e Honra!

 

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