1948: “Seis potências” decidem futuro da Alemanha Ocidental

De 23 de fevereiro a 2 de junho de 1948, Estados Unidos, Reino Unido e França, bem como países do Benelux (Bélgica, Luxemburgo e Holanda) discutiram o futuro das zonas de ocupação da Alemanha.

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Camaradas,

Um texto muito elucidativo sobre o pós-guerra e as definições sobre o futuro alemão publicado no DW Brasil. Vale a leitura!

Após a Segunda Guerra Mundial, a aliança das potências vencedoras foi abalada por confrontos internos, do que resultaram ideias divergentes quanto à política a ser adotada na Alemanha. A arquitetura política da República Federal da Alemanha foi debatida, pela primeira vez, na Conferência das Seis Potências, em Londres.

O então governador de Baden-Würtemberg, Reinhold Maier (do Partido Liberal), fez quatro reivindicações aos participantes da conferência: “O reconhecimento internacional da Alemanha como Estado autônomo; um acordo de paz, ao qual temos direito dois anos e meio após a capitulação incondicional; a definição das reparações em termos que nos garantam uma base econômica; e, finalmente, a libertação de nossos prisioneiros de guerra”.

Os participantes da Conferência das Seis Potências concordaram em fomentar a recuperação econômica das três zonas ocidentais com recursos do Plano Marshall (que, entre 1948 e 1952, forneceu 14 bilhões para a reconstrução europeia). Em troca do apoio a essa decisão, a França obteve o direito de anexar a região do Sarre ao seu território. Paris também se dispôs a apoiar a reforma monetária alemã, que entrou em vigor com a introdução do marco alemão (Deutsche Mark) a 20 de junho de 1948.

Os franceses queriam que a Alemanha fosse organizada apenas como confederação informal de Estados, enquanto os ingleses e norte-americanos propunham a criação de uma república federativa. No final, chegou-se ao consenso de formar um governo alemão-ocidental, baseado no sistema de governo democrático federativo.

Conferência selou divisão da Alemanha…

Com isso, os Aliados não só demonstraram a intenção de criar um Estado alemão. Na prática, selaram a divisão do país, um fato reconhecido pelo vereador berlinense Walther Schreiber (da CDU), numa crítica aos resultados da Conferência de Londres. “A definição da organização de nosso país é um assunto estritamente interno que deve ser decidido livremente pelo nosso povo. Para a autoridade da futura Constituição alemã seria importante que todas as potências de ocupação evitassem intervir na questão, estritamente alemã, da formação do nosso Estado”, escreveu.

A Conferência das Seis Potências aprovou uma série de recomendações que, a 1º de julho de 1948, foram entregues aos governadores alemães e ficariam conhecidas como os Documentos de Frankfurt. O texto levemente modificado previa a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte e a elaboração de um estatuto de regulamentação das relações entre o governo alemão-ocidental e as potências de ocupação.

Os governadores rejeitaram a expressão Verfassung (Constituição) e sugeriram, em vez disso, o uso do termo Grundgesetz (Lei Fundamental) – detalhe meramente semântico, sem qualquer significado político. Eles tiveram dificuldade ainda maior em dar um sentido real à palavra “democracia”: rejeitaram a realização de um plebiscito constitucional, sob o pretexto de que os parlamentos estaduais deveriam aprovar a Lei Fundamental.

… e acelerou cisão entre Aliados

A Conferência de Londres acelerou a divisão das potências aliadas, vencedoras da Segunda Guerra Mundial. No dia 20 de março de 1948, o representante soviético na 82ª sessão do Conselho Controlador, marechal Sokolovski, exigiu informações sobre as negociações de Londres. Percebendo que recebia apenas respostas evasivas dos diplomatas ocidentais, abandonou o Conselho, para nunca mais voltar.

Enquanto as potências ocidentais ainda elaboravam as recomendações aos governadores alemães-ocidentais, Stalin usou a introdução do Deutsche Mark como pretexto para fazer um bloqueio a Berlim Ocidental, no verão europeu de 1948. Foi o primeiro incidente de repercussão internacional da Guerra Fria, que duraria 40 anos, até a queda do Muro de Berlim, em 1989.

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