Uma das principais razões para a queda de Napoleão Bonaparte – Ele não poderia conquistar o mar.

Traduzido e adaptado por Sagran Carvalho.

Retorno de Napoleão de Elba, Ambroise-Louis Garneray, 1852

Uma das principais razões para a queda de Napoleão foi a incapacidade de sua marinha para derrotar a Marinha britânica. Aqui estão algumas razões pelas quais os franceses perderam tanto no mar.

Uma marinha em declínio

A Marinha Francesa entrou em declínio, após atingir seu auge na década de 1770 durante a Guerra da Independência Americana. A subsequente agitação da Revolução Francesa causou problemas para a manutenção da Marinha e seus meios.

Embora novos navios ainda estivessem sendo construídos, uma marinha poderosa era muito mais do que apenas isso. Tratava-se de manter, reparar e atualizar navios existentes. Tratava-se de recrutar as tripulações para usá-las. Nesse sentido, os franceses entraram em declínio, em parte através da acomodação sobre seus louros, e em parte devido à enorme revolta administrativa e financeira da revolução.

Investimento britânico

A perda das colônias na Guerra da Independência Americana foi um grande golpe para os britânicos. Com o orgulho e a economia atingidas por este evento, o Parlamento britânico aumentou os investimentos em sua Marinha, buscando  evitar novas perdas coloniais.

Como resultado, houve um aumento significativo no número de navios da linha construídos ao longo da década de 1780. Eram navios modernos e poderosos. Também foram alocados recursos para a construção da infra-estrutura necessária para apoiar a frota. Grandes complexos novos de docas secas, estaleiros e prédios de apoio foram construídos em Plymouth e Portsmouth. As defesas foram melhoradas nas docas do exterior. As instalações de manutenção existentes foram reformadas e atualizadas.

As docas inglesas eram ainda mais eficazes por uma benção da natureza: o mar ao longo da costa sul britânica. Havia marés altas duas vezes ao dia e marés de primavera substanciais uma vez a cada duas semanas. Os franceses só tinham estas condições vantajosas de maré em Brest e Rochefort.

Controlando o Báltico

A posição da Grã-Bretanha e sua força naval permitiram que o controle dos melhores locais para fornecimento de recursos essenciais para a construção naval, tais como madeira de pinho, cânhamo e ferro sueco. Alguns desses recursos, em particular, o cânhamo, deterioravam-se em caso armazenamento por tempo prolongado,  podendo ser substituídos por materiais de outros lugares, mas que não possuíam a mesma qualidade. Substitutos inferiores da Espanha levaram a rupturas e acidentes em mares tempestuosos.

O bloqueio

Ao longo das guerras napoleônicas, os franceses tentaram manter um bloqueio naval contra o comércio britânico. No entanto, devido à sua superioridade naval, foram os britânicos que realmente mantiveram um bloqueio à França efetivo. A produção foi dificultada nos estaleiros franceses, pois a matéria-prima não pode ser trazida. A partir de junho de 1803, os britânicos bloquearam o porto de Brest, forçando os  estaleiros franceses a suspender a construção de novos navios, e em fevereiro de 1805 o suprimento via tráfego costeiro cessou completamente.

Qualidade dos marinheiros

A qualidade dos marinheiros britânicos aumentou constantemente ao longo da primeira década das Guerras Napoleônicas.

No início da década de 1790, a Marinha britânica era tão propensa a acidentes quanto qualquer outra. Seus navios sofreram colisões, tiveram mastros perdidos em tempestades e tinham danos estruturais em condições severas. Isto não era um reflexo de condições invulgarmente difíceis, mas sim da qualidade de seus marinheiros na navegação marítima.

Uma década depois, os britânicos conseguiram manter um bloqueio naval à costa francesa por meses, sem que um único navio fosse danificado. Os comandantes tinham aprendido a trabalhar com as condições climáticas, e as equipagens tinham sido aprimoradas e experimentadas no trabalho de seus navios.

Batalha de Trafalgar, 1805Batalha de Trafalgar.

Mão-de-obra

Essa vantagem foi reforçada pelo número de marinheiros que os britânicos poderiam fornecer. Sua Marinha contava com cerca de 110 mil homens em 1805, e 140 mil oito anos depois.

Os franceses e seus aliados lutaram para encontrar homens adequados para suas tripulações. A conscrição significava que a maioria dos jovens da França estava sendo atraída para o serviço no exército nas inúmeras campanhas que Napoleão lutou no continente europeu. Franceses e seus aliados,  esforçaram-se para encontrar 65 mil marinheiros para uma frota que, se tivesse atingido a grandeza planejada, precisaria de 111 mil.

Táticas de artilharia

O estilo de artilharia britânico preferido, conhecido como o carona, ajudou a garantir suas vitórias na batalha.

O carronade, preferido por Nelson e outros comandantes britânicos, envolvia o fogo dos canhões próximos aos navios inimigos. Isso deu ao franceses e seus aliados vantagem por dispararem suas armas mais cedo, sendo necessário um grande nervo das tripulações britânicas. Esta tática conservava a munição e a energia dos artilheiros, cujo trabalho de transportar canhões de volta através dos decks para recarregar e disparar era fisicamente exaustivo. Os britânicos gastaram seus recursos em combates à queima-roupa, que eram mais eficazes.

Os canhões rugem durante a Batalha de Trafalgar. Os canhões rugem durante a Batalha de Trafalgar.

Melhores armas

As táticas superiores de artilharia da Grã-Bretanha foram combinadas com armas melhores. A perda das colônias levou a um renovado interesse pela construção naval, também resultando num exame mais minucioso das armas a bordo. Thomas Blomefield, o inspetor de artilharia, supervisionou a tarefa maciça de testar todas as armas da Marinha e substituir as piores.

Os padrões foram elevados para garantir que as novas armas fossem suficientemente boas. Qualquer nova arma era testada 30 vezes para garantir a solidez antes de ser aceita, forçando os fabricantes a reduzir o teor de enxofre no ferro, produzindo armas menos quebradiças e defeituosas.

Pólvora melhor

A pólvora britânica também era superior à dos franceses. Era processada usando salitre da Índia, que tinha uma força explosiva maior. Os britânicos não permitiram o comércio dela com os franceses anteriormente ao conflito

Com tantas vantagens de organização, recursos, habilidades e tecnologia, a Grã-Bretanha tinha assegurada a vitória no mar.

Fontes:

Roger Knight, “The Fleets at Trafalgar: The Margin of Superiority”, em David Cannadine ed. (2006), Trafalgar in History: A Battle and a Afterlife. 

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Texto original em WHO

 

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