Os tenentes e 1964 – 18 do Forte Copacabana

Por Sagran Carvalho.

Camaradas,

Acabei de ler o livro Tenentes de Pedro Doria que relata a História do Movimento Tenentista no Brasil e as tentativas de derrubada da República Velha. É um livro curto, que vale muito a pena ser lido, que trata basicamente dos movimentos no Forte de Copacabana e da tentativa dois anos depois de começar a revolução por São Paulo.

Recomendo muito, até porque conhecemos pouco da nossa História.

Deixo abaixo um trecho da obra para atiçar curiosidades.

Os tenentes e 1964

Taí um período estranho de nossa história, este dos tenentes. Meio ignorado. A
República Velha toda é meio ignorada. Educado entre finais da década de 1970 e
início da de 1990, devo ter tido uma meia dúzia de aulas, se tanto, sobre a época
de Deodoro a Vargas. Café com leite, oligarcas, Semana de Arte Moderna, umas
revoltas pelo meio, basta. Aquele tempo nem antigo o bastante para ser exótico,
nem próximo o suficiente para ser há pouco. Aquela gente se espalha pelos
nomes de nossas cidades, ruas, monumentos, e assim torna-se familiar.
Repetimos a toda hora seus nomes, mas não pensamos no retrato em preto e
branco. Pensamos nas referências geográficas. Sabemos que tiveram algum tipo
de importância. Alguma importância.
O evento recente definidor da história do Brasil foi o golpe que apeou do poder
João Goulart, em 31 de março ou 1º de abril de 1964, cada um escolhe sua data.
As cicatrizes daquele momento ainda estão vivas, ainda norteiam como tantos de
nós medimos política. Aquele ano, 1964, não virou história ainda. É política
corrente. Mas aquele golpe não nasceu do governo Jango, não nasceu da
renúncia de Jânio, do suicídio de Vargas. Nasceu quando, em 7 de julho de 1922,
quatro tenentes, alguns soldados e um civil desceram a avenida Atlântica para
um suicídio ritual. “A mim Siqueira Campos, Eduardo Gomes e Juarez Távora
sempre me pareceram samurais perdidos no Brasil”, 1 escreveu o exgovernador
baiano Juracy Magalhães. Tinham mesmo um quê de samurais, no
ímpeto suicida norteado por um senso de honra, com o qual se lançaram à luta.
Não foi o levante inspirado por um indeciso Hermes da Fonseca que virou mito.
Foi seu desfecho. Foi a obstinação que levou aqueles rapazes a uma espécie
brasileira de harakiri. Em Copacabana. Em São Paulo. No Rio Grande do Sul. Por
todo o Brasil.
Nos anos anteriores à explosão tenentista, em 1922, algumas mudanças
ocorreram nas Forças Armadas. Houve o contato para o treinamento de jovens
oficiais com os exércitos de Prússia e França. O marechal Hermes da Fonseca
foi o maior defensor deste movimento. Imediatamente antes da Guerra Mundial
de 1914, o Exército teve sua primeira geração de intelectuais militares. Existiram
estudiosos antes, mas eram literatos. Gente que pensasse a guerra com
sofisticação, não havia. O resultado é que os militares, no campo de batalha,
tornavam-se violentos carniceiros. O uso de tática ou estratégia para limitar o
sangue e ampliar as possibilidades de vitória era ignorado. Além disso, houve a
campanha do poeta Olavo Bilac, que, durante o conflito europeu, defendeu o
serviço militar obrigatório. Hoje parece um retrocesso. No tempo, era o
contrário. Representava a capacidade de o Exército ter algum controle sobre os
recrutas que recebia. No mesmo período, aqueles jovens oficiais tiveram outra
vitória. Foi o fim da Guarda Nacional, que distribuía entre latifundiários ou gente
politicamente conectada patentes militares que lhes permitia formar tropas. Até
hoje apelidamos os velho oligarcas de coronéis, herança deste tempo em que o
Estado de fato lhes outorgava o título.
Esta geração profissionalmente treinada ganhou o apelido de jovens turcos,
pois, além da influência europeia, mirava o exemplo de como militares
otomanos aproveitaram-se de seus próprios estágios no Exército alemão,
tornando-se reformadores de todo o país. Mustafa Kemal Atatürk, o generalpresidente
fundador da Turquia, defendia uma doutrina pela qual os interesses da
nação e os das Forças Armadas confundiam-se. Nenhuma instituição seria mais
dedicada à pátria do que aquela composta de homens decididos a perder suas
vidas pela defesa nacional, se assim fosse necessário.
Antônio de Siqueira Campos, Luís Carlos Prestes e Eduardo Gomes fizeram
parte da primeira turma formada dentro do Exército pelos jovens turcos.
Entraram na Escola Militar do Realengo em 1916 e a deixaram em 1918.
Aqueles capitães e coronéis transformadores eram seus professores. A maioria
dos generais, não. Vinham doutros tempos. A carnificina de São Paulo, em 1924,
ponha-se na conta daquele velho Exército e daquela República Velha. Humberto
Castelo Branco e Artur da Costa e Silva, os dois generais-presidentes que
seguiram o golpe de 1964, iniciaram seus estudos no Realengo em 1918,
formando-se em 1920. No ano de 1922, Castelo servia como segundo-tenente em
Belo Horizonte, onde não houve levante. Costa e Silva estava na Vila Militar, entre
os rebeldes, e terminou preso. Emílio Garrastazu Médici (formou-se em 1927) e
Ernesto Geisel (1928) foram educados sob a mística dos 18 do Forte e da Coluna
Prestes. A mística da Coluna, para os jovens oficiais, foi imensa, um marco
geracional. E João Baptista de Figueiredo, o mais jovem presidente do regime de
exceção, era filho do general Euclides de Figueiredo, ele próprio um jovem
turco.
Em outubro de 1930, os tenentes participaram da mobilização armada que
levou Getúlio Vargas ao poder. Não foi como 1922, 1924 ou a Coluna. Não
estava, ali, o tenentismo puro. Havia uma aliança. Eles se juntaram, dando
necessário apoio militar, a um movimento político que se ensaiava desde as
eleições de 1922. Aqueles jovens oficiais de Copacabana demonstravam
evidente insatisfação com a República do Café com Leite iniciada no governo
Prudente de Moraes, ainda no século XIX. A alternância entre paulistas e
mineiros no poder deixava cada vez mais gente incomodada. Outros oligarcas
em estados importantes, mais notadamente o Rio Grande do Sul, se
movimentavam. Os oligarcas de fora do eixo São Paulo-Minas compreenderam
ao longo da década de 1920 que, para ter acesso ao poder federal, a República
Oligárquica que haviam defendido até ali teria de acabar. Toda dinâmica política
mudaria. O destino era incerto, mas mudar tornara-se inevitável.
O Rio Grande do Sul é importante. A Coluna Prestes não saiu de lá, mas pôde
existir porque os gaúchos se levantaram para apoiar os rebeldes paulistas.
Levantaram-se eles, e não outros, por conta de uma cultura local muito
particular. Sua política bipartidária entre blancos e colorados, a tendência a
revoltas constantes e um cotidiano militaresco criaram um ambiente especial.
Dos cinco presidentes da ditadura, três eram gaúchos. Golbery do Couto e Silva,
o militar mais importante do regime que não chegou à presidência, igualmente
gaúcho. Osvaldo Cordeiro de Farias, que durante a Coluna Prestes tornou-se par
de Siqueira Campos e de João Alberto, também era gaúcho. Foi um dos
articuladores-chave do golpe de 1964.
Não é possível entender o Brasil republicano sem entender o tenentismo. Não
haveria 1930 sem o tenentismo. Não haveria 1964 sem o tenentismo. Duas
ditaduras. Uma com tons de esquerda por conta de seu histórico de direitos
trabalhistas, a outra marcada pela direita em sua oposição irracional ao
comunismo. Ditaduras à parte, aquilo contra o que se levantaram os tenentes era
legítimo. Por mais confusa que fosse sua plataforma — e era —, pregavam
fundamentalmente a ampliação da democracia.
Mas há uma armadilha aí. Porque o que legitimava seu movimento era o
credo dos jovens turcos: os interesses da nação e os das Forças Armadas
confundem-se. Os membros das Forças Armadas não se percebem submetidos
aos poderes constituídos da República como uma instituição dedicada a sua
defesa. Percebem-se como os interesses da nação encarnados. A República
Velha, sustentada por eleições fraudadas, em que o poder era concentrado nas
mãos de oligarquias que não tinham planos de ceder o comando, precisava ser
interrompida para que a democracia pudesse respirar e enfim se estabelecer.
Mas o método, que apenas talvez fosse justificado naquele momento, se
consolidou e inspirou por várias décadas a maneira como muitos militares se
compreendiam. O contexto do Brasil mudou inúmeras vezes desde 1922, mas a
ideia de que seria legítimo apear governantes do poder se instalou no Exército
nacional.
Para mudar, foi preciso que duas ditaduras deixassem um rastro de sangue
em seus porões. Uma civil, a outra militar, ambas instituídas pelo espírito herdado
do tenentismo.
Essa não é uma questão ideológica, não no sentido político da palavra.
Ideologicamente, não é possível definir os tenentes. Podem ter inspirado
ditaduras, mas o que tinham em comum era exigir eleições honestas e, se não
abertas a todos, certamente com o direito de voto mais bem distribuído. Exigiam
o fim de uma ditadura branca na qual quem detinha o poder determinava o
sucessor. Falaram também com constância em direitos trabalhistas e liberdade de
imprensa. Em acesso à Justiça para todos. Muitas vezes de forma implícita,
pregavam um país no qual, pelo caminho da educação, cada pessoa teria
oportunidade de crescer. Falavam, essencialmente, num Brasil democrático. Na
prática, porém, demonstraram acreditar em autoridade e imposição. A seus
subordinados, muitas vezes davam ordens, não explicavam. Talvez cobrar-lhes
um comportamento distinto não seja justo. Eram militares e, mesmo na
democracia, numa estrutura militar há hierarquias e ordens.
Eram pobres, alguns, e de classe média baixa, outros. Haviam sido educados
com sacrifício por pais esforçados. Gente como eles só tinha um caminho: a
Escola Militar do Realengo. Só lá poderiam fazer um curso superior e receber
um soldo. Era, justamente por isso, uma escola disputadíssima. Não bastava estar
entre os melhores, era preciso ainda driblar as vagas cedidas a quem tinha
indicações. Quase todos os tenentes estavam entre os melhores de suas turmas.
Eram, todos, muito inteligentes. E a história de suas vidas dava mostras de quão
injusto era o Brasil oligárquico que lhes fechava tantas portas.
Não bastasse, eram jovens. Em todo o período de seus levantes tiveram
menos de 30 anos, e este não é um mero detalhe. Porque boa parte de sua leitura
política ocorreu após o espasmo da revolta. Mas, principalmente, porque o
ímpeto da juventude atrás de ideais pesa no comportamento de todas as
gerações. O tenentismo foi um movimento jovem, com todo o romantismo e
idealização que lhe cabe.
Aliás, não basta apenas o argumento do ímpeto de jovens de todos os tempos.
É preciso levar-se em conta o ímpeto dos jovens daquele tempo específico.
Porque os anos 1920 foram muito particulares, neles se buscou emoção como
em raras décadas.
Blaise Cendrars, o poeta suíço que os modernistas paulistanos ciceroneavam
pela cidade quando foram tomados de surpresa pela revolta de 1924, não tinha
um braço. Perdera-o por ferimento de guerra, quando servia na Legião
Estrangeira francesa. Sob duas bandeiras , romance que narra a história de um
homem que tenta redimir-se de um crime alistando-se na mesma Legião
Estrangeira e se apaixona em Argel, é outro caso. Ressoou com tal intensidade na
cultura que foi transformado em filme não uma, mas duas vezes naqueles anos:
em 1916, com remake em 1922. Na primeira versão, a sensual Theda Bara
incorporava a heroína. Jamais um conflito armado havia sido tão documentado
como a Primeira Guerra. Todos viram fotos e filmes do horror que se praticara
nas trincheiras. E, ao mesmo tempo, nunca um conflito militar havia sido tão
romantizado. O sacrifício pela pátria, por ideais, o alistar-se por um amor
impossível, eram temas constantes da literatura popular e do cinema. Quando, já
bem velho, um dos tenentes do Forte de Copacabana sugeriu a pesquisadores da
Fundação Getúlio Vargas que a frustração de não terem lutado na Grande Guerra
influenciara no levante, estava falando sério. Siqueira Campos, antes de partir
para a marcha louca dos 18 do Forte, dedicou seu sacrifício escrevendo num
retalho da bandeira “àquela que não posso dizer”, a sua namorada oculta, amor
impossível, Rosalina Coelho Lisboa. Partir romanticamente para a guerra justa
persistiu como um ideal nas décadas seguintes, como no caso do notável exemplo
do flanco à esquerda da Guerra Civil Espanhola, que atraiu voluntários de toda
parte do mundo. A Coluna Prestes foi, a sua maneira, algo assim. Rapazes em
busca de aventura, envoltos por romantismo, querendo com sinceridade abraçar
a causa certa. “Uma aventura de jovens”, disse francamente Prestes, ele
mesmo, entrevistado no Roda Viva , em 1986.
E os gestos coletivos deles todos, sem que pudessem prever, definiram o
século XX brasileiro. Não adianta buscar neles uma chave ideológica. Não é
possível encontrá-la nem para cultuar, nem para acusar. Porque, depois da
juventude, ideologicamente eles se espalharam por todos os lados.
Luís Carlos Prestes tornou-se comunista após a Coluna. Sua decisão teve
imenso impacto. O nome Prestes tinha um peso mítico, em princípios dos anos
1930, por simbolizar aquela travessia de 25 mil quilômetros país adentro. Ao
abraçar a Internacional Comunista, redefiniu a esquerda radical brasileira. O
anarquismo tinha força antes de Prestes. Sua visão de movimento, aliada à
crescente influência soviética, não só afastou a esquerda radical do operariado,
buscando apoio de intelectuais e militares, como a redefiniu segundo os preceitos
da URSS. Comunista doutrinário, incapaz de temperar a convicção política com
um quê da própria vida, Prestes deixou a prisão para apoiar Getúlio mesmo após
nove anos de encarceramento e, pior, a deportação para a Alemanha nazista de
sua mulher, Olga. Que era judia. Que estava grávida. Teve impacto cada vez
menor até desaparecer, em meados dos anos 1980, quando sua influência pessoal
e, principalmente, a da União Soviética desandaram.
Prestes não era o único homem de esquerda entre os tenentes. Joaquim
Távora, que não era comunista, enxergava o Brasil dos anos 1920 pela ótica da
luta de classes. Socialista, morto em 1924, não é possível saber que caminho
seguiria. Mas já era um homem maduro que havia lido muito. Suas convicções
nasciam de reflexão intelectual. João Alberto tornou-se getulista, abraçando o
trabalhismo, uma versão da esquerda com sincera preocupação por condições
dignas para o trabalhador, misturada a pitadas de demagogia e franca tolerância
com a ditadura do Estado Novo. De certa forma, embora pernambucano,
incorporou o espírito maragato da família de sua mulher. Miguel Costa, que
começou por caminho similar, logo se indispôs com o autoritarismo varguista.
Como se indispôs com o dogmatismo de Prestes. É verdade que Prestes era o
estrategista. Mas há um quê de injusto em chamar a coluna por seu nome.
Miguel foi o homem que não desistiu. Foi quem veio desde São Paulo. Era ele o
general. Miguel foi, também, o homem que mais cedo desistiu da política,
mudando-se para o interior paulista, onde fez dinheiro com imóveis.
A esquerda não foi o único caminho. Eduardo Gomes, calado que era, tornouse
um homem pessoalmente conservador. É muito fácil ler seu partido, a UDN,
com as lentes da direita golpista que a marcou após o lacerdismo de 1964. Mas,
nos anos 1940, mais do que um partido, era uma rede. Uma frente de grupos
com todos os matizes ideológicos que resistiam ao Estado Novo, à censura, à falta
de liberdades e à violência nos porões do regime Vargas. Mas não foi à toa que a
máquina de propaganda do PTB conseguiu colar, entre os trabalhadores, a
percepção de que o brigadeiro era elitista. Foi um candidato das classes médias
urbanas. Isto pode ser um mérito. Por outro lado, as questões dos trabalhadores,
que tanto ressoaram para muitos de seus companheiros, não parecem tê-lo
comovido. Para um político, é um ponto cego e uma fraqueza em eleições. E
Gomes não era demagogo, não sabia fingir ser outra coisa além do homem de
centro-direita que foi. Mas houve um traço que, independentemente da ideologia,
o uniu a Prestes até o fim. Nenhum dos dois era democrata. Conspiraram contra
inúmeros governos até o fim. Se a acusação de golpista é injusta para aquela
UDN inicial, não o era para o brigadeiro.
Juarez Távora, muito por conta de seu catolicismo rígido, foi um homem cuja
vida o levou para a direita de Eduardo Gomes. Não foi fascista — nenhum deles
o foi. Mas se, entre os tenentes, Prestes foi o mais de esquerda, Juarez estava do
lado diametralmente oposto. Seu caso chama atenção por dois motivos. Um
porque seguia com fascínio e amor o irmão Joaquim, o socialista mentor
daqueles jovens militares. A sua foi, com a de Prestes, a virada ideológica mais
brusca. Além disso, de todos os sobreviventes do tenentismo que passaram dos 60
anos de idade, foi o que com mais clareza exprimiu desconforto com as
frequentes conspirações. Suas dúvidas éticas não eram absolutas. Não conspirou
contra João Goulart, embora tenha sido ministro no governo Castelo Branco. Mas
certamente havia perdido muito do apetite para as interrupções da democracia
que marcaram a república brasileira até 1985.
E resta Siqueira Campos.
A moça que namorava em 1922, Rosalina Coelho Lisboa, tornou-se na década
seguinte um nome importante do braço de apoio integralista do regime Vargas.
Fascista. Rosalina circulou o país fazendo palestras sobre Siqueira, cuja memória
tratava com devoção ímpar. Nos anos 1950, escreveu um romance que o tinha
como protagonista. Pretendeu torná-lo um dos grandes heróis nacionais. Seria
muito injusto sugerir que Siqueira, por conta de quem mais falou dele após sua
morte trágica, pudesse simpatizar com o fascismo. Nada do que falou ou fez
sugere qualquer atração. É verdade que ele rejeitou a aproximação do amigo
Prestes do comunismo. Mas todos o fizeram. Mesmo no fim da vida, Prestes
sempre lembraria de Siqueira com palavras de carinho. Talvez porque tenha
morrido cedo, Siqueira foi a unanimidade que restou entre eles. Todos
lembravam dele como um amigo atento. Ainda cadete, manifestara horror pela
maneira como eram tratados os operários no Brasil. Mas é difícil atribuir
ideologia ao que pode ter sido apenas um exercício de empatia. No movimento,
quem lhe inspirava respeito não o fazia pelo que pensava, e sim por
demonstrações de lealdade, integridade e coragem. Neste sentido, pensava com
cabeça fundamentalmente militar. No exílio, teve amigos próximos entre
diplomatas brasileiros — ou seja, representantes do governo que combatia.
Começou radical, foi se tornando mais flexível e tolerante. Um homem doce e
introspectivo. Houve quem o descrevesse, no exílio uruguaio, assistindo sozinho a
filmes no cinema, um após o outro, num refúgio para pensar. E sempre com o
senso de humor afiado, irônico. Sinal de gente crítica. Siqueira Campos, o maior
ícone dos 18 do Forte e que, por um instante, não apareceu na foto icônica da
caminhada suicida. Talvez, quem sabe, não se tornaria o mais democrata entre os
seus.
Ora, quem sabe?

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