Soviéticos invadem o Afeganistão

Por Max Altman

Era madrugada do dia 24 de dezembro de 1979 quando os blindados do exército da União Soviética invadiram o Afeganistão sob o pretexto de garantir o cumprimento do Tratado de Amizade e Cooperação, assinado em 1978.

Enquanto se aproximava a meia-noite de 23 para 24, os soviéticos organizaram também uma formidável ponte-aérea com destino à capital Cabul, que seria desencadeada horas depois, envolvendo aproximadamente 280 aviões de transporte de tropa e cerca de três divisões com cerca de 8.500 homens cada. Em poucos dias, os soviéticos já controlavam toda a cidade, tendo deslocado uma unidade especial para tomar de assalto o palácio governamental de Tajberg. Membros do exército afegão leais ao presidente Hafizullah Amin opuseram uma feroz, porém breve, resistência.

O interesse pelo Afeganistão remonta aos tempos da Rússia tzarista, devido ao interesse interesse geo-estratégico, especialmente na saída para o Mar da Arábia. Em 1972, assistentes soviéticos foram enviados para treinar as forças armadas locais. Em 1978, os governos assinaram um acordo que permitiu o envio de 400 consultores soviéticos. Em dezembro do mesmo ano, a URSS e o Afeganistão assinaram o tratado de cooperação, que permitia a entrada de tropas soviéticas caso o governo afegão o solicitasse.

Como o regime de esquerda do Partido Democrático Popular do Afeganistão havia se tornado dependente dos equipamentos militares e da assessoria soviética, e sentindo-se ameaçado por forças de oposição interna e de países vizinhos, autorizou formalmente o ingresso do exército soviético.

Os soviéticos invadiram o Afeganistão para derrocar o presidente Hafizullah Amin, que não tinha conseguido enfrentar os mujahedin, inimigos da União Soviética ateia. Amin foi substituído por Babrak Karmal. A União Soviética justificou a invasão com a necessidade de preservar o regime esquerdista afegão de seus inimigos internos e externos e manter a paz na Ásia Central.

Em 27 de dezembro, Karmal, líder exilado da facção Parcham do Partido Democrático Marxista do Povo, foi empossado como novo chefe de governo do Afeganistão. Simultaneamente, forças terrestres soviéticas vindas do norte avançavam sobre o território afegão.

Os soviéticos, entretanto, viram-se diante de uma forte resistência quando avançaram para o interior. Os combatentes da resistência chamados de mujahedin viam os soviéticos ateus controlando o Afeganistão como uma profanação ao Islã, bem como à sua cultura tradicional. Proclamando a jihad (guerra santa) contra os invasores, eles ganhavam o apoio do mundo muçulmano.

Os mujahedin empregaram táticas de guerrilha contra os soviéticos. Atacavam de surpresa em emboscadas para desaparecer em seguida entre as montanhas e grutas de uma geografia excepcionalmente complicada, causando grande destruição, importante quantidade de baixas e uma pressão psicológica elevada, sem que os guerrilheiros sofressem perdas ao evitar as batalhas campais. Os combatentes afegãos valiam-se de armamento capturado dos soviéticos e, principalmente, do material bélico que os Estados Unidos lhes forneciam.

O curso da guerra mudou definitivamente quando Washington passou a abastecer os mujahedin, a partir de 1987, com mísseis antiaéreos Stingers, facilmente transportados e disparados dos ombros dos combatentes. Esse armamento permitiu-lhes abater regularmente helicópteros e aviões que voavam a baixa altitude.

Retirada

O novo líder soviético, Mikhail Gorbachev, decidiu então que era hora de se retirar. Desmoralizadas, as forças soviéticas começaram deixar o campo de batalha em 1988. Foi em 15 de fevereiro de 1989 que o último soldado cruzou a fronteira de volta ao seu país.

Foi a primeira expedição militar soviética além de sua área de influência na Europa Oriental desde a Segunda Guerra Mundial, e marcou o fim de um período de melhora de relações entre as duas superpotências em plena Guerra Fria. Em decorrência, acordos de desarmamento foram arquivados e os Estados Unidos puseram-se a se rearmar.

A União Soviética teve 15 mil soldados mortos na guerra, sem contar os milhares de feridos. O impacto a longo prazo foi profundo. Primeiro, os soviéticos jamais se recuperaram das perdas em termos de imagem pública internacional e dos dispêndios financeiros, fatores que contribuíram significativamente para o fim da URSS em 1991. Por outro lado, criou um fértil terreno para a ascensão de Osama Bin Laden, o corvo que havia sido alimentado pelos Estados Unidos e que anos mais tarde lhes furaria os olhos.

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Publicado originalmente em Opera Mundi

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