Os aviadores, convidados do rei

Por MARCELO MONTEIRO

Mal entendido acabou incorporando pilotos brasileiros à Força Aérea Britânica

Um mês depois da declaração de guerra do Brasil à Alemanha, o rei britânico Jorge V recebeu o embaixador brasileiro Fontoura Xavier. Nascido em Cachoeira do Sul, o jornalista e diplomata fora enviado ao Palácio de Buckingham com uma mensagem do presidente Wenceslau Braz. Polidamente, a majestade acolheu “com prazer” a união dos brasileiros aos aliados, sugerindo que pilotos do país pudessem ser treinados para combater ao lado dos ingleses, assim como fariam os norte-americanos.

Após receber a comunicação de Fontoura Xavier, o governo divulgou à imprensa nacional o “convite” recebido do rei, que, apesar da pompa real, em nada influenciava nas questões militares britânicas. Ao tomar conhecimento da oferta de Jorge V, o Foreign Office – Ministério das Relações Exteriores britânico – pediu ao ministro inglês no Rio que informasse o governo brasileiro sobre a impossibilidade de a Inglaterra receber aviadores do Brasil, em razão do excesso de pessoal, da falta de acomodações e até mesmo da carência de aeronaves.

O comunicado deixou o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Nilo Peçanha, em situação delicada. Em poucos dias após o anúncio do “convite” oficial britânico, vários voluntários já haviam se apresentado, alguns até com passagens compradas para a Inglaterra. Depois de dois meses de discussões e da pressão brasileira sobre os ingleses, alegando o mal-estar que poderia ser gerado entre a população do país, o Foreign Office finalmente anunciou, em 12 de janeiro de 1918, que aceitava receber 10 pilotos para treinamento na Real Air Force (RAF), força aérea britânica criada a partir das fusões das aviações da Marinha (Royal Navy Air Service) e do Exército (Royal Flying Corps), em abril de 1918.

Para não ter de dispensar nenhum voluntário, o Brasil enviou à Inglaterra 13 pilotos, 12 deles da Marinha e um do Exército, todos solteiros. Aos Estados Unidos, foram mandados os pilotos casados – dois oficiais e dois suboficiais. Para o público interno, ao contrário do que diziam os ingleses, o governo garantia que os aeronautas brasileiros iriam para lutar, e não apenas para treinar.

Durante os treinamentos, o tenente Eugênio Possolo, que ocultara o o fato de ser casado para poder viajar à Europa, morreu em um acidente. Além dele, a missão brasileira ainda perderia outros quatro aviadores – três deles, cortados, e um, acidentado. O tenente Olavo Araújo ficou gravemente ferido, mas, depois de voltar ao Brasil, seguiu carreira na Marinha, atingindo o posto de almirante.

Após uma fase de treinamentos, os outros oito brasileiros tomaram parte do 16º Grupo da RAF, com sede em Plymouth. Nos últimos dias da guerra, ao lado de oficiais ingleses, eles chegaram a executar missões sobre o Canal da Mancha. Já os brasileiros enviados aos Estados Unidos atuaram em unidades de patrulha anti-submarina.

Camaradas, ajudem o Café no Front a manter seu trabalho. Através do Apoia-se você pode contribuir mensalmente com valores a partir de R$ 1,00.

Nos ajude a continuar divulgando História, Geo-política e Conflitos atuais.

apoia-se-03

Publicado originalmente em RBS

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s