Os Guerreiros de Hitler

Por Guido Knopp

“Eu acreditei, e estava errado.” A demonstração tardia de remorso do marechalde- campo Wilhelm Keitel antes dos julgamentos de Nuremberg foi uma tentativa isolada de um oficial nazista enfrentar seu passado. A maior parte dos oficiais do alto escalão que apoiou o ditador em sua guerra de agressão alegou obediência militar e negou qualquer culpa pessoal. Na Alemanha pós-guerra, que privilegiava a supressão da verdade em detrimento de uma investigação honesta, trabalhou-se duro para criar a lenda de uma Wehrmacht que tinha as mãos limpas, que não participou nem estava ciente dos assassinatos em massa perpetrados pelo regime.

Desde os primeiros dias da ditadura de Hitler, muitos dos oficiais mais experientes fecharam os olhos para o crescente terror nazista. Desde o início da guerra, as Forças Armadas, lideradas pelo Estado-Maior Geral, foram um instrumento fiel de tirania. Nos dias inebriantes das primeiras vitórias, muitos oficiais ansiavam por fama, reconhecimento, promoções e recompensas. Apenas alguns estavam dispostos a prestar atenção nas palavras de advertência do general Beck: “a obediência de um soldado tem limites, que é quando o conhecimento, a consciência e a responsabilidade” proíbem o cumprimento de uma ordem. Entretanto, poucos tiveram coragem de oferecer resistência ativa contra os criminosos que controlavam o país. Visando apenas ascender na carreira, a maioria dos militares mais experientes se apegou ao conceito de dever e à tradicional obediência de um soldado. Como o teólogo Dietrich Bonhoeffer previu, “O homem que é guiado por deveres acabará servindo ao próprio diabo”. Tal profecia viria a ser materializada pela elite militar da Alemanha nazista.

Mesmo quando se deparavam com crimes monstruosos, a resistência dos oficiais que viam a ideologia nazista com ceticismo permanecia restrita a um pequeno círculo. Nenhum marechal-de-campo em serviço apoiou o homem que quase conseguiu matar Hitler em 20 de julho de 1944. Erich von Manstein foi um dos que repeliu os conspiradores de maneira categórica: “Marechais-de-campo prussianos não se rebelam.” Essa tentativa foi um erro desastroso, pois só a liderança militar teria o poder necessário para, de dentro, derrubar o Reich de Hitler. A única forma legítima de pôr um fim à catástrofe foi chamada de “alta traição”.

No final da guerra, apenas alguns daqueles para os quais Beck dirigiu seu apelo sobre senso de responsabilidade foram chamados a prestar contas. O general Beck, porém, manteve-se firme em suas convicções e precisou pagar por elas com a vida. Esses dois diferentes arranjos de circunstâncias mostram que a Wehrmacht estava acima de tudo, inclusive dos generais.

As carreiras destes seis homens – Rommel, Keitel, Manstein, Paulus, Udet e Canaris – são muito diferentes, mas todas enfrentaram o conflito entre obediência e consciência, entre autocensura e protesto. Eles não poderiam ser mais díspares. Esta seleção de generais alemães (e um almirante) não é de todo representativa, mas suas carreiras nos ajudam a responder como “aquilo” pôde ter acontecido. O que fez esses homens usarem suas habilidades a serviço de um déspota assassino? O que eles sabiam sobre os crimes do regime? Até que ponto estavam implicados? Quais os limites da obediência deles?

“Hitler confia em mim, e isso é tudo o que desejo”, disse Erwin Rommel certa vez. A máquina de propaganda nazista transformou Rommel em um mito que sobreviveu ao Terceiro Reich, ao qual acreditou estar servindo durante toda a vida. Até hoje a lendária “Raposa do Deserto”, o brilhante comandante da campanha no Norte da África, tem defensores em ambos os lados. No auge do sucesso, sua reputação se equiparava à de divisões inteiras. Por gratidão, Hitler o promoveu e o transformou no marechal-de-campo mais jovem das Forças Armadas. Como oficial, havia atingido seu objetivo, mas foi quando sua derrocada começou. Deste momento em diante, colecionou derrotas.

Porém, diferentemente de grande parte dos generais da Wehrmacht, Rommel tinha coragem para criticar Hitler abertamente pelos erros de sua “liderança”. Em 15 de julho de 1944, exigiu que o Führer abrisse mão do comando supremo da Wehrmacht. Os conspiradores de 20 de julho souberam da postura de Rommel e por isso planejavam, caso o golpe fosse bem-sucedido, nomeá-lo comandante supremo – mas tudo sem informar o candidato escolhido, uma vez que Rommel nunca teria aprovado um tiranicídio. Até o atentado contra a vida de Hitler, ele nutria a ilusão de que conseguiria persuadir o Führer a selar uma paz em separado com os Aliados ocidentais. Os homens da resistência tentaram diversas vezes conversar com o marechal-de-campo, mas sempre fracassaram em razão de seu conflito de consciência não-resolvido. De um lado, o juramento de lealdade que fizera como soldado e a obrigação de cumprir seu dever. Do outro, a percepção da realidade militar.

Após 20 de julho, contudo, ele foi alvo de uma “limpa”. O homem que mexia os pauzinhos nos bastidores era seu inimigo pessoal de longa data, Martin Bormann, para quem o “general favorito do Führer” era irritante. Em outubro de 1944, Hitler mandou dois generais à casa de Rommel. Eles lhe apresentaram uma escolha difícil: suicídio seguido de um funeral de Estado ou um julgamento diante do “júri popular” e represálias contra sua família. Rommel optou pelo fim da própria vida.

O ilustre soldado nunca soube da exata extensão do genocídio promovido pelos nazistas. Foi um exemplo de virtude militar em sua forma mais pronunciada. A seu ver, estava apenas servindo à Pátria; como provou a história, servia a um criminoso. Assim como muitos alemães, foi convencido pela propaganda nazista, que, de forma mentirosa, colocava os objetivos de Hitler como idênticos aos interesses alemães. Quando afinal, conseguiu perceber a fraude, houve uma mudança que, forçosamente, permaneceu incompleta. “Virtudes secundárias como obediência, disciplina e bravura são admiráveis”, disse seu filho, Manfred Rommel, recentemente, “contanto que estejam a serviço de uma virtude primária: amor à humanidade e à verdade.” Não era o caso de Erwin Rommel, e é nesse ponto que reside sua tragédia.

Com Wilhelm Keitel foi diferente. Ele era o arquétipo do soldado submisso a serviço de um ditador. Sua obediência não conhecia limites. Keitel declarou após a guerra: “Quando uma ordem me era dada, cumpria o que considerava ser meu dever, sem me deixar distrair pelas possíveis e nem sempre verificáveis conseqüências.” Sua atitude de devoção a Hitler lhe rendeu o irônico apelido de Lackeitel (em alemão, Lackey significa “lacaio”). Como uma galinha que toma conta de seus ovos, protegia Hitler dos poucos que tinham coragem de confrontá-lo.

Entretanto, Keitel era mais do que uma simples marionete com medalhas penduradas em seu uniforme: no início de 1930, teve papel crucial no rearmamento secreto do Reichswehr, o que viabilizou as guerras de agressão de Hitler. Como chefe do Comando Supremo da Wehrmacht, foi fundamental no envolvimento do Exército nas atividades sangrentas do regime. As terríveis ordens que assinou – em particular aquelas para a invasão da União Soviética – abriram caminho para inúmeros crimes de guerra. A famigerada “Ordem do Comissário” trazia a assinatura de Keitel, assim como as instruções para transferir 100 mil soldados regulares para o SD (o “Serviço de Segurança” de Himmler) como reforço para os assassinatos em massa. A morte de mais de 3 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos por inanição ou doenças foi aprovada por ele, com o comentário de que “estava apenas lutando contra uma ideologia”.

Nas últimas semanas da guerra, sua ordem para que os soldados alemães se “livrassem”, sem qualquer julgamento, dos desertores custou a vida de milhares de pessoas, sobretudo jovens. O fato de Keitel, entre outros, ter sido forçado a assinar a rendição incondicional da Alemanha é visto como uma das maiores ironias da história. Mesmo assim, com seu monóculo e seu bastão de marechal, continuava se portando como um oficial prussiano que vivia apenas para o “cumprimento do dever”.

Entretanto, com sua submissão e obediência ilimitada, Keitel não era um mero produto do sistema, ele preenchia os requisitos mais importantes para o bom funcionamento do sistema: a supressão de escrúpulos e reservas em favor da realização incondicional das vontades do Führer.

O remorso de Keitel diante dos juízes em Nuremberg, a declaração de que havia “acreditado” e que estava “errado” vieram tarde demais, e diante de erros tão monstruosos soou tão tola quanto cínica. Seu último desejo, morrer fuzilado como um soldado, foi recusado pelos juízes. Keitel foi enforcado em 16 de outubro de 1946.

Erich von Manstein sobreviveu à guerra. Para Hitler, Manstein tinha o “melhor cérebro” de seus generais; para os Aliados, era “o adversário mais perigoso”. Sua vida foi similar à da maioria dos generais prussianos conservadores que não gostavam do nazismo e se distanciaram dele, mas que ao mesmo tempo serviram a uma guerra cruel, como ferramentas nas mãos de Hitler. Em 1940, Erich von Manstein elaborou o plano para a invasão da França, solidificando sua reputação de “gênio militar”. Vários generais se pronunciaram contra os conceitos arriscados de Manstein. Apenas Hitler apoiou de forma veemente o plano “suicida” que lhe rendeu o maior triunfo militar de sua carreira – a vitória sobre a França.

Após a invasão da Rússia em 1941, Manstein e o 11º Exército conquistaram a Criméia e tomaram a principal fortaleza de Stálin, Sebastopol. Depois disso, já promovido a marechal-de-campo, não conseguiu romper o cerco soviético ao 6º Exército. Pediu a Hitler que ordenasse uma fuga, mas o Führer se recusou, selando o destino de mais de 250 mil soldados alemães encurralados na região de Stalingrado. Após a rendição de Stalingrado, Manstein desejava um honroso “empate” militar, mas para Hitler isso era algo inconcebível. Depois de muitos desentendimentos a respeito da condução da guerra no leste, Hitler retirou Manstein do comando do Grupo de Exércitos Sul. O grande estrategista jamais recebeu outro cargo.

As tentativas da resistência militar para convencer Manstein a apoiar a causa foram recusadas. Profundamente arraigado à tradição prussiana, sentiu-se, até o final, comprometido com o juramento de obediência que fizera ao Führer. Contestava Hitler em questões militares, mas assassiná-lo seria demais para ele. Sempre se referia a si mesmo como um soldado “apolítico”, que fazia aquilo em que era melhor: conduzir a guerra sem considerar a natureza criminosa dos objetivos perseguidos por Hitler.

Por fim, veio a catástrofe e o próprio reconhecimento de que “minha criação e educação não me prepararam para os desafios da ditadura de Hitler”. Em 1949, um tribunal militar britânico em Hamburgo condenou Manstein a 18 anos de prisão. Cumpriu apenas parte da sentença. Em maio de 1953, graças a protestos de Churchill e Montgomery, foi libertado por alegar que estava com problemas de saúde. Ao sair, ofereceu seus serviços como consultor para a criação do Bundeswehr, o Exército da República Federal.

Manstein era um estrategista talentoso, porém inocente em termos políticos. Não foi capaz de reconhecer a natureza e os verdadeiros objetivos de Hitler. Colocou suas habilidades a serviço de um criminoso, acreditando servir à pátria. Essa foi a contribuição de Manstein para a ruína da Alemanha, país que ele, como comandante militar, acreditava poder preservar. Não era nada menos que um soldado brilhante, mas também não era nada além disso.

O mesmo se aplica a Friedrich Paulus. É impossível dissociar seu nome da derrota em Stalingrado. Como comandante do 6º Exército, encurralado contra o rio Volga, não teve qualquer chance contra a esmagadora superioridade do Exército Vermelho. A cada dia as tropas cercadas viam seus suprimentos minguarem; e a cada dia a distância da linha de frente alemã tornava-se maior. Entretanto, após semanas de resistência, as exaustas unidades de Paulus conseguiram conter oito exércitos soviéticos e uma considerável parte da Força Aérea deles. Dessa forma, permitiram que o Grupo A do Exército alemão se retirasse de suas operações no Cáucaso.

Porém, para mais de 250 mil soldados da Wehrmacht, a situação não oferecia qualquer esperança. Todas as tentativas de obter uma ordem de Hitler para evacuar a área com uma fuga para o oeste fracassaram. O ditador decidiu que era melhor sacrificar o 6º Exército do que abandonar voluntariamente Stalingrado, a cidade que trazia o nome de seu adversário mais importante. Mandou por rádio uma mensagem cínica de agradecimento às tropas sitiadas por terem “contribuído para salvar a civilização ocidental”. Paulus sabia que sua promoção a marechal-de-campo pouco antes do fim do cerco era uma ordem de suicídio. Entretanto, não concedeu tal satisfação ao Führer: Paulus optou pelo cativeiro. Mas foi só no momento da derrota que se recusou a cumprir ordens, preferindo ter o mesmo destino de seus soldados. Em 31 de janeiro de 1943, tornou-se o primeiro marechal-de-campo na história da Alemanha a virar prisioneiro do inimigo.

Os eventos de Stalingrado viraram tema de diversos filmes e livros, mas a história da vida de Paulus, antes e depois do episódio, continuou inexplorada. Foi ele quem elaborou os planos para invadir a União Soviética. Mais tarde, como testa-de-ferro do “Comitê Nacional pela Alemanha Livre”, tentou convencer seus antigos colegas de Exército a mudarem de lado. Como testemunha de acusação em Nuremberg, ofereceu provas contra seus ex-superiores. Foi prisioneiro na União Soviética até 1953, sendo o troféu de guerra mais importante

de Stálin. Durante a Guerra Fria, sua decisão de permanecer na comunista Alemanha Oriental rendeu amplo material para a guerra propagandística de ambos os Estados alemães. Assim, Paulus, que sempre quis continuar sendo um oficial apolítico do Exército, tornou-se pela segunda vez objeto de escrutínio público. Isso o destruiu. Quatro anos após ter sido libertado, morreu em Dresden, no dia 1º de fevereiro de 1957, no 14º aniversário da rendição de Stalingrado.

Ernst Udet não viveu o suficiente para ver a rendição. Ele disse o seguinte sobre si mesmo: “Para voar, às vezes é necessário fazer um pacto com o diabo. Mas é preciso não se deixar devorar por ele.” Tendo servido de inspiração para Harras, herói da peça The Devil’s General, de Carl Zuckmay er, seu destino não ficou esquecido na Alemanha pós-guerra. No entanto, a licença poética a que Zuckmay er se permitiu distorceu nossa visão do “verdadeiro” Udet. Para o regime nazista, sua fama de ás da aviação durante a Primeira Guerra Mundial e de ator de filmes de aventura renderam um bem-vindo material de propaganda para a criação da Luftwaffe. Herman Göring promoveu Udet e o transferiu de uma cabine de avião para uma mesa de escritório, como “general de armamentos aéreos”, de onde ele ajudou a coordenar o rearmamento da Alemanha.

O sucesso da Luftwaffe durante as blitzkrieg convenceram até mesmo Udet da invencibilidade dos bombardeiros e aviões de caça alemães. Porém, no Ministério da Aviação de Göring, ele parecia ser o homem errado no lugar errado. O piloto talentoso acabou por se tornar um administrador ruim. Seu rival Erhard Milch declarou: “De forma acertada, Hitler considerava Udet um dos maiores pilotos da Alemanha e, equivocadamente, um dos melhores tecnólogos em aviação.” Envolvido com uma área de grande responsabilidade e em contínua expansão, foi derrotado nas disputas com sua equipe e com seus superiores, que, já cansados das metas inatingíveis, deixaram-no sozinho para tomar decisões que seriam fatais para ele.

Passava menos tempo em seu gabinete do que aproveitando a vida e correndo atrás de mulheres nos bares de Berlim. Nas festas e encontros nazistas, era sempre o centro das atenções, famoso por seus inúmeros casos amorosos e por suas bebedeiras. As socialites de Berlim amavam as caricaturas que ele fazia e as histórias que contava. E Udet desfrutou ao máximo de sua popularidade.

O fraco desempenho da Luftwaffe contra a Força Aérea Real britânica acabou com as ilusões de invencibilidade dos pilotos alemães e expôs os erros de planejamento. Göring, o chefe da Luftwaffe, pegou Udet como bode expiatório e o demitiu de seu cargo. Em 17 de novembro de 1941, Ernst Udet pôs fim à própria vida. Na parede de seu quarto, deixou uma carta de despedida com acusações contra seus rivais no Ministério da Aviação. A última frase era dirigida a Hermann Göring: “Ironsides,  você me traiu.” O regime tentou encobrir o suicídio. Anunciou que Udet havia sofrido um acidente durante um teste de vôo e encenou um funeral grandioso com honras de Estado. Com a voz falsamente embargada, Göring lamentou a perda de seu “melhor amigo”.

Diferentemente de Harras, o piloto da peça de Zuckmay er, Udet não participou da resistência antinazista. Seu suicídio não foi resultado de alguma percepção a respeito da natureza criminosa do regime. Sua oposição ao Terceiro Reich não foi além de piadas banais feitas no refeitório dos oficiais. Anos de bebedeira e abuso de drogas o transformaram num alvo fácil para as intrigas de seus rivais. Do heróico piloto da propaganda nazista restou apenas a beleza aparente.

Se Udet sabia ou não dos rumos que o regime estava tomando, não ofereceu qualquer indicação disso às pessoas que o cercavam. Ele deve ter tido suas dúvidas, mas o certo é que escondeu os fracassos de sua vida profissional e pessoal por trás da máscara de beberrão feliz até atingir um nível tal de ruína física e psíquica que a única saída seria o fim teatral que ele próprio escolheu.

Wilhelm Canaris não teve a oportunidade de se suicidar; foi executado pelo regime ao qual serviu. Sua rede de espionagem era conhecida como a “arma milagrosa” de Hitler nas batalhas invisíveis dos serviços secretos. Por causa de suas conexões com os homens que tentaram matar o ditador, e devido ao fato de ter sido morto em um campo de concentração, Canaris tornou-se uma lenda da resistência militar. O chefe do Abwehr, o serviço secreto militar, era um mestre da dissimulação e do jogo duplo. De forma discreta e eficiente, seus espiões abriram caminho para as guerras de agressão promovidas por Hitler, enquanto o próprio Canaris trabalhava para derrubar o ditador. Pediu a seus agentes que cooperassem com a Gestapo, a polícia secreta mais temida da Alemanha, ao passo que ele próprio, alegando estar conduzindo operações do serviço secreto, organizava a fuga de vítimas de perseguições raciais e políticas.

O jogo arriscado do almirante é simbolizado por sua relação de amor e ódio com Reinhard Hey drich, chefe do Serviço de Segurança da SS. Enquanto os agentes do Abwehr e seus rivais do Escritório Central de Segurança do Reich, comandado por Hey drich, travavam uma batalha nos bastidores, durante muitos anos os dois chefes mantiveram uma “amizade” no âmbito privado, com direito a noites de muita música e manhãs de cavalgadas.

Será que era necessário ser cúmplice de Hitler para conseguir se manter como seu adversário? Como chefe da Polícia Secreta de Campo, Canaris foi responsável pelo papel desempenhado por seus agentes nas atrocidades cometidas na Polônia e na Rússia. No entanto, ao mesmo tempo ele agia como um “anjo protetor” para aqueles de seu comando que faziam parte da resistência, como Hans Oster e Hans von Dohnany i, cujos planos para derrubar  Hitler eram incentivados por ele.

No início de 1944, erros graves nas operações de espionagem do Abwehr criaram o pretexto para que Canaris, já sob suspeita, fosse retirado do cargo e mandado para um posto sem importância. Após o atentado contra a vida de Hitler em 20 de julho de 1944, o almirante foi preso e por fim enviado para o campo de concentração de Flossenbürg. Apenas alguns dias antes do final da guerra, foi assassinado por um esquadrão da SS.

Só no último momento confessou ter tido algum envolvimento com a resistência. A partir do momento em que foi nomeado chefe do serviço secreto, tentou jogar uns contra os outros, ficando encurralado entre a obediência e a moralidade. Sem a ajuda dele, muitas pessoas não teriam sido salvas. Mas muitos morreram por causa de suas ordens. Como vários dos conservadores da era do kaiser, ele acreditava estar servindo à pátria, e não ajudando Hitler. Continuou agarrado à sua crença equivocada até o último momento.

Camaradas, ajudem o Café no Front a manter seu trabalho. Através do Apoia-se você pode contribuir mensalmente com valores a partir de R$ 1,00.

Nos ajude a continuar divulgando História, Geo-política e Conflitos atuais.

apoia-se-03

Trecho do livro “Guerreiros de Hitler” do historiador Guido Knopp.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s