A população do Colônia pegou em armas contra a Gestapo em 1944 – Você sabia?

Por Sagran Carvalho.

Camaradas,

Quando se fala em rebelião contra a cúpula nazista durante a guerra, logo nos vem a cabeça a Operação Valquíria e o Coronel Stauffenberg em sua fracassada tentativa de matar Hitler e assumir o poder na Alemanha, o que levou a uma verdadeira caça as bruxas no Alto-Comando da Wermacht e ao endurecimento ainda maior do regime.

Poucos no entanto conhecem a História da revolta em Colônia cuja parte da população, cansada dos bombardeios aéreos Aliados se revoltou contra o que consideravam sacrifício inútil. Foi um pequeno ato, pouco conhecido, mas que demonstra claramente a insatisfação já reinante na sociedade alemã com os infortúnios causados pela guerra cujo culpa era atribuída à incompetência da liderança nazista.

Vejam o relato:

Não era de surpreender. Colônia, por exemplo, sofreu outro grande ataque na noite de 30 de outubro, descrito por uma testemunha como o “golpe mortal” à cidade. As 250 mil pessoas que ainda viviam lá — antes do início das seguidas investidas aéreas, o número era por volta de 800 mil — não tinham gás nem eletricidade. A pouca água disponível só podia ser obtida nos hidrantes de rua. A NSV distribuía magras rações de comida a pessoas que faziam fila. Quase todas as áreas habitáveis encontravam-se destruídas. Amontoadas com seus poucos pertences nas pontes sobre o Reno, as pessoas queriam fugir. Mas conduzir um processo de evacuação em massa era impossível, devido à falta de transportes. Com a crise ferroviária, não havia como enviar trens para lá. Todo veículo militar que se dirigia para o leste era forçado a parar e obrigado a receber gente fugindo da cidade, até estar totalmente abarrotado. Havia um sentimento de profunda amargura em relação ao regime, acompanhado da noção da futilidade daquele conflito. O êxodo prolongou-se por mais de uma semana. Colônia tornou-se “praticamente uma cidade fantasma”. Nas palavras de Goebbels, “essa adorável metrópole às margens do Reno, pelo menos por enquanto, deve ser considerada perdida”.

Entre os moradores remanescentes, abrigados em barracões improvisados ou sobrevivendo em porões nas ruínas da cidade, grupos de jovens dissidentes, trabalhadores estrangeiros, soldados desertores e antigos membros do Partido Comunista passaram a atuar de maneira semelhante à dos partisans, numa forma de resistência que atingiu o clímax em dezembro. Com granadas de mão e metralhadoras que conseguiram roubar dos depósitos da Wehrmacht, eles declararam sua guerra particular contra a polícia da cidade, matando o chefe local da Gestapo e, numa ocasião, envolvendo-se numa batalha armada contra os policiais que se estendeu por doze horas até que fossem dominados. Foi com dificuldade que a Gestapo conseguiu controlá-los, vingando-se de modo selvagem dos cerca de duzentos sobreviventes que prenderam.

Nenhuma ação parecida ocorreu nas outras cidades do cinturão industrial de Reno-Ruhr. Mas centenas de milhares de pessoas passaram por situações de tormento semelhantes às da população de Colônia depois dos devastadores ataques aéreos registrados durante o outono em Bochum, Duisburg, Oberhausen e outras grandes cidades da região.  O estado de ânimo no Ruhr era ruim. A atmosfera de guerra criava “um clima de profunda depressão”, concluiu Goebbels, com base nos relatórios que chegavam às suas mãos. Um único tópico tomava conta das conversas: “a fadiga de guerra de todo mundo”.

Ainda assim, não houve colapso da disciplina nos locais de trabalho nem no Exército. As pessoas procuravam cumprir da melhor maneira possível o que consideravam sua obrigação. Não se viam sinais de sabotagem, de greves ou — à exceção do que acontecera em Colônia — de outras manifestações claras de resistência.  Logo depois de encerrada a guerra, o dr. Walther Rohland avaliou que o esforço extraordinário demonstrado pelos trabalhadores menos entusiasmados pela guerra (ou pelo regime) podia ser explicado pelo fato de que “cada um percebia com clareza que não conseguiria, como indivíduo, fazer nada contra a guerra”. “Contudo, se formos derrotados, então, num contraste com 1914-8, a própria Alemanha estará perdida e, com ela, qualquer possibilidade de existência para o indivíduo.” Tais temores eram sustentados pelo bônus propagandístico que foi o Plano Morgenthau, nome pelo qual ficou conhecido entre os alemães o programa elaborado pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Morgenthau, de dividir a Alemanha do pós-guerra e torná-la um país desmembrado, sem nenhum poder, com uma economia pré-industrial.

Com trechos do livro O Fim do Terceiro Reich de Ian Kershaw.

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