O Horror dos Campos de Concentração na Coréia do Norte.

Imagem de satélite do Campo 22 na Coréia do Norte.

Os campos de trabalhos forçados da Coreia do Norte já duram duas vezes mais
tempo que o Gulag soviético e cerca de 12 vezes mais que os campos de concentração nazistas. Não há controvérsia sobre sua localização. Fotografias de alta resolução, feitas por satélites, acessíveis no Google Earth para qualquer pessoa que tenha uma conexão à internet, mostram vastas áreas cercadas que se esparramam entre as montanhas escarpadas da Coreia do Norte.

O governo da Coreia do Sul estima que eles abrigam cerca de 154 mil prisioneiros, enquanto o Departamento de Estado dos Estados Unidos e vários grupos de defesa dos direitos humanos calculam que sejam nada menos que duzentos mil. Após examinar uma década de imagens dos campos feitas por satélites, a Anistia Internacional observou novas construções dentro deles em 2011 e passou a temer que a população de prisioneiros estivesse aumentando, talvez para conter uma possível inquietação no momento em que o poder começou a ser transferido de Kim Jong Il para seu filho, jovem e inexperiente.

De acordo com o serviço de inteligência da Coreia do Sul e grupos de direitos humanos, existem seis campos. O mais extenso tem dois mil quilômetros quadrados, uma área maior que a da cidade de Los Angeles. Cercas de arame farpado eletrificadas  pontuadas por torres de vigilância e patrulhadas por homens armados — contornam a maior parte dos campos. Dois deles, os de número 15 e 18, têm zonas de reeducação, onde alguns detentos afortunados recebem instrução corretiva sobre os ensinamentos de Kim Jong Il e Kim Il Sung. Caso as memorizem o bastante e convençam os guardas de sua lealdade, eles podem ser libertados, mas são monitorados pelo resto de suas vidas por serviços de segurança do Estado.

Os demais campos são “distritos de controle total”, onde os prisioneiros, chamados de “irredimíveis”,  trabalham até a morte.

O campo de Shin, de número 14, é um distrito de controle total. Tem a reputação de ser o mais duro de todos em razão das condições de trabalho particularmente brutais ali vigentes, da vigilância de seus guardas e da visão implacável do Estado sobre a gravidade dos crimes cometidos por seus detentos, muitos dos quais são membros expurgados do partido no poder, do governo e das forças armadas, assim como suas famílias. Fundado em 1959, no centro da Coreia do Norte — perto de Kaechon, na província de Pyongan do Sul —, o Campo 14 abriga cerca de 15 mil prisioneiros. Em uma área com cerca de cinquenta quilômetros de comprimento por 25 quilômetros de largura, ele abriga fazendas, minas e fábricas distribuídas por vales íngremes.

Embora Shin tenha sido a única pessoa nascida num campo de trabalhos forçados a escapar para contar a história, há pelo menos outras 26 testemunhas oculares no mundo livre. Elas incluem pelo menos 15 norte-coreanos que estiveram presos no distrito de edificação do Campo 15, foram libertados e mais tarde apareceram na Coreia do Sul. Ex-guardas de outros campos também conseguiram chegar à Coreia do Sul. Kim Yong, um ex-tenente-coronel de Pyongyang, de origem privilegiada, passou seis anos em dois campos antes de fugir num trem usado para o transporte de carvão.

Uma síntese dos testemunhos dessas pessoas, feita pela Associação Coreana dos Advogados em Seul, traça um quadro detalhado da vida cotidiana nos campos: todos os anos, alguns prisioneiros são executados em público. Outros são surrados até a morte ou secretamente assassinados por guardas, que praticamente têm carta branca para maltratá-los e estuprá-los. Em sua maioria, os detentos trabalham na agricultura, na extração de carvão, na confecção de uniformes militares ou na fabricação de cimento, subsistindo com uma dieta de fome de milho, repolho e sal. Perdem os dentes, as gengivas ficam pretas, os ossos se enfraquecem, e, quando chegam à casa dos quarenta anos, ficam arqueados na altura da cintura. Como recebem um conjunto de roupas uma ou duas vezes por ano, em geral eles trabalham e dormem vestindo trapos imundos, levando a vida sem sabão, nem meias, luvas, roupas de baixo ou papel higiênico. Jornadas de trabalho de 12 a 15 horas são obrigatórias até que os prisioneiros morram, em geral de doenças relacionadas à desnutrição, antes de completar cinquenta anos.4 Embora seja impossível obter números precisos, governos de países ocidentais e grupos de direitos humanos estimam que centenas de milhares de pessoas pereceram nesses campos.

Na maioria dos casos, os norte-coreanos são enviados para os campos sem nenhum processo judicial, e muitos morrem sem saber do que foram acusados. São retirados de suas casas, em geral à noite, pela Bowibu, a Agência de Segurança Nacional. A culpa por associação é legal na Coreia do Norte. Muitas vezes um transgressor é preso com os pais e os filhos. Kim Il Sung estabeleceu a lei em 1972: “Inimigos de classe, sejam eles quem forem, devem ter sua semente eliminada por três gerações.”

Camaradas,

Este é um trecho de um livro que deveria ser lido por todos. trata-se de Fuga do Campo 14, de Blaine Harden que narra a fuga de Shin do campo 14 e descreve cruamente as condições de vida neste “Gulag” norte-coreano.

É um livro curto em tamanho, mas denso e pesado na narrativa, e que deve ser mostrado a qualquer um que ainda defenda o sistema comunista de sociedade. Recomendo muito a leitura.

 

 

 

 

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