Hans Baur, o piloto de Hitler, em combate na Primeira Guerra.

A unidade de voo de Baur e von Hengl, agora Fliegerabteilung (A) 295, foi reequipada com uma aeronave nova e melhor, o Hannover CL IIIa. Além de avião de reconhecimento, observação e artilharia, esse biplano compacto, de dois assentos, podia atuar como caça escolta. Sua fuselagem, coberta de madeira compensada macia, era extremamente forte, capaz de resistir bastante. Equipado com um motor Argus As III de seis cilindros de linha, refrigerado a água, de 160 HP, era capaz de fazer 165 km/h e era
muito mais ágil do que os A.E.G. Sua autonomia era de três horas em circunstâncias normais. O Hannover tinha uma cauda incomum para um biplano, que reduzia bastante o vão elevado, oferecendo campo de fogo muito maior para o observador da carlinga traseira. O armamento consistia numa metralhadora fixa Maxim 7.9 mm LMG 08/15 para o piloto, sincronizada para atirar para a frente, através do arco da hélice, e uma metralhadora Parabellum 7.9 mm modelo 14/17, montada no anel da carlinga traseira e operada manualmente pelo observador.7 As duas metralhadoras eram, é claro, refrigeradas a ar. A Parabellum de von Hengl, como mostra uma fotografia da época da guerra, era equipada com uma grande mira ótica, bastante útil para o combate aéreo e ataque no solo; há muito ele havia mostrado ser perito atirador, além de excelente observador.

Antes, o que se esperava da tripulação dos aviões de observação era que se defendesse quando atacada, mas o jovem Baur e von Hengl logo começaram a voar ao longo do front para atacar a artilharia de defesa antiaérea francesa depois de completar sua missão de localização. Um artigo intitulado “O piloto aéreo de Herr Hitler”, descrevendo a batalha aérea mais bem-sucedida de Baur, foi publicado na revista Popular Flying de março de 1939:

“Em 17 de julho de 1918, Baur e seu observador (von Hengl) receberam instruções para localizar algumas baterias francesas que vinham perturbando há algum tempo. Eles decolaram às dez da manhã e cruzaram as linhas a cerca de 3.000 metros nas vizinhanças de Epernay, mas foram localizados pelos ‘arqueiros’ franceses. Baur entrou numa nuvem, mas ao emergir viu seis Spad de caça abaixo dele. Enquanto eles estivessem por perto, von Hengl não poderia localizar nada. Duas mentes com um único pensamento! Sem serem vistos pelo inimigo, Baur deu a volta e, no mergulho, ficou com o sol atrás dele; então atacou.

Uma rajada da metralhadora de von Hengl derrubou um dos Spads. Os outros cinco só perceberam o que estava acontecendo quando viram as asas do avião de seu companheiro despencar ao lado deles. Fazendo uma curva, eles derrubaram outro Spad em chamas, enquanto Baur manobrava no meio deles com tanta destreza que eles não conseguiam apontar suas metralhadoras contra ele, com medo de atingirem uns aos outros. Um Spad fez um giro e quase bateu neles, mas von Hengl focou sua mira nele, e o avião caiu como uma pedra.

Três contra um, e os três estavam começando a acertá-lo. Estilhaços voavam das asas, balas raspavam a madeira da fuselagem; Baur e von Hengl começaram a achar que a qualquer momento seria o fim.

Então se envolveram com um Spad, numa batalha de círculos. As bandeiras indicavam que era o líder da formação. O piloto sabia o que estava fazendo, e os outros ficaram de lado para ver os alemães irem de encontro às suas vítimas no solo. Mas muitos pilotos de caça perderam a vida descobrindo que não se podia brincar com a tripulação de um avião que sabia se defender. O francês deve ter se descuidado ligeiramente ao ter certeza da vitória, e Baur viu ali a oportunidade. Quando as duas aeronaves se cruzaram no céu, von Hengl disparou com tamanha rapidez que por um momento o Spad parecia levitar; então rodopiou e caiu. Os dois Spads sobreviventes desapareceram da cena e Baur achou que von Hengl agora poderia realizar seu trabalho. Como o sistema de comunicação sem fio tinha sido destruído, tiveram que voltar ao método primitivo de lançar mensagens atrás das linhas inimigas, de onde poderiam ser enviadas por telefone à artilharia alemã. As duas incômodas baterias francesas foram colocadas fora de ação, e Baur levou o avião danificado, em segurança, até o campo de pouso. A confirmação da vitória foi obtida facilmente, e Baur foi recompensado com a Medalha de Valor.”

É admirável que quatro aviões de caça tenham sido derrubados por um avião de observação de dois lugares, num confronto.

Baur raramente se queixava das condições difíceis, das privações e problemas da vida militar em tempos de guerra. Reconhecia suas responsabilidades e lutava para cumprir seu dever da melhor maneira possível. Sua coragem conquistou o respeito e a admiração de seus colegas aviadores.

As saídas aconteciam praticamente todos os dias, dependendo do tempo. Isso incluía voos de reconhecimento noturno para localizar a posição exata da artilharia inimiga pelas luzes dos disparos. Num desses voos, um biplano surgiu da neblina nas linhas francesas, voando a cerca de 400 metros de altura. Baur atacou imediatamente e abriu fogo a curta distância, derrubando um dos novos bombardeiros Breguet. Outra vitória em data posterior foi sobre um piloto americano num Nieuport de caça.

É claro que algumas vezes escaparam por pouco, inclusive de um combate com três caças Spad, também descrito no artigo da Popular Flight:

“Com a metralhadora do Tenente von Hengl destruída, eles foram obrigados a fazer uma aterrissagem precária, perto de uma posição da artilharia alemã. Mas sentiram uma espécie de consolo ao verem um de seus adversários fazer uma aterrissagem forçada a apenas alguns quilômetros de distância. Em outra ocasião, um problema no motor forçou Baur a pousar nas linhas britânicas, onde foram feitos prisioneiros. Mas isso aconteceu durante a ofensiva de Aisne e eles logo foram salvos pelas tropas de um regimento de infantaria de Wuerttemberg que invadiu a posição.”

Em seus muitos voos sobre as linhas de batalha, Baur não tinha ideia de que nas trincheiras enlameadas abaixo dele estava um cabo do 16° Regimento de Infantaria da Reserva do exército bávaro que teria influência profunda sobre seu futuro. Esse homem era Adolf Hitler.

Com os russos fora da guerra e às voltas com a Revolução Bolchevique, no final de 1917, a Alemanha pôde transferir suas tropas e armas do front oriental ao front ocidental para uma grande ofensiva na primavera de 1918. Esse último grande avanço da Alemanha começou em 21 de março e ficou conhecido como “Ofensiva Michael”. Os ataques, usando novas táticas e unidades de “tropas de assalto”, acabaram forçando os franceses e ingleses a recuarem até o Marne, a apenas setenta quilômetros de Paris, mas os Aliados conseguiram deter o avanço graças, principalmente, às tropas americanas que chegaram à França em grande número. Em 18 de julho, os Aliados começaram uma contraofensiva poderosa, que só terminou com o armistício de 11 de novembro. Enquanto as defesas
alemãs começavam a ruir, um braço do Exército Imperial se manteve eficiente e efetivo até o último dia de batalha, o Deutschen Luftstreitkraefte, a força aérea do exército alemão, que incluía as unidades bávaras que lutaram bravamente até receber ordem para voltar à Alemanha e entregar suas aeronaves aos Aliados.

Trecho do livro O Piloto de Hitler de C. G. Sweeting.

 

 

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